Zumbidos e surdez na medicina chinesa

Zumbidos e surdez na medicina chinesa

Zumbido é caracterizado pelos pacientes como um som tipo campainha nos ouvidos.
Surdez é a perda de capacidade de ouvir.

BannerFans.com

Diagnóstico de zumbidos e surdez na medicina chinesa

Invasão de vento externo
Aparecimento súbito de zumbidos ou surdez, zumbidos agravam com exposição ao vento e frio, febre e calafrios, aversão ao frio, dores generalizadas, rigidez na nuca, ausência de sudação, cefaleia, língua com capa fina e branca, pulso flutuante.
Em padrões de vento-calor é possível existirem outros sinais clínicos como: dor leve no ouvido, sensação de ligeira obstrução dentro do ouvido, capacidade auditiva ligeiramente reduzida e membrana do ouvido ligeiramente vermelha.

zumbidos e surdez na medicina chinesa
zumbidos e surdez na medicina chinesa

Subida de Yang do Fígado
Aparecimento súbito de zumbidos ou surdez, aparecimento destes sintomas está associado a estados de instabilidade emocional, irritabilidade, tendência para acessos de raiva, tonturas, cefaleia, sabor amargo na boca, face vermelha, olhos vermelhos e secos, suores nocturnos, boca e garganta seca, língua vermelha com capa fina e amarela, pulso rápido e em corda.
Os zumbidos de aparecimento súbito apresentam-se muito intensos com som elevado e diminuição da capacidade auditiva. No entanto, como a subida de yang é uma consequência do vazio de yin, se este padrão for o mais intenso, o paciente pode apresentar os sintomas de vazio de yin. Também é possível que sinta alteração de sintomas que denúncia agravamentos momentâneos do vazio de yin que gera subida de yang.

Humidade-Mucosidade
Zumbidos de aparecimento súbito, sensação de peso na cabeça, em particular, no canal auditivo, dilatação abdominal, agravamento por exposição a ambientes húmidos, língua com capa pegajosa, pulso deslizante.
Outras variações da humidade-calor, como a humidade-calor no Fígado e Vesícula Biliar podem apresentar: dor relativamente severa dentro do ouvido que pode irradiar para a face, febre e frio alternados que agravam os outros sintomas. Nos padrões de Humidade-calor os zumbidos podem ter aparecimento súbito, apresentam som muito alto e diminuição da capacidade auditiva.

Vazio de Yin e Yang do Rim
Zumbidos de som baixo mas persistentes, aparecimento gradual, alivio com pressão local, zumbidos de som baixo tipo cigarra, agravamento pelo esforço físico, perda de audição crónica, tonturas, lombalgia, fraqueza dos membros inferiores, língua rosada e pulso fino e fraco.

Acupuntura para tratar zumbidos e surdez na medicina chinesa

Seleção de pontos para zumbidos e surdez na medicina chinesa: 2VB, ponto da raiz do nervo vago, 6TA.
Nesta combinação temos pontos locais e um distal. Um dos pontos locais faz parte da auriculopunctura mas com efeitos muito bons no tratamento dos zumbidos. 2VB e 6TA é uma combinação de pontos do mesmo par de meridianos.
Outros pontos a adicionar para zumbidos e surdez na medicina chinesa: 5TA, 41VB, 17TA, 19ID, 21TA.

Seleção de pontos de acordo com os padrões clínicos:

Invasão de Vento externo: 20VB, 16VG, 12VB
20VB e 12VB são 2 pontos proximais ao ouvido com função de eliminar Vento. 16VG fica na nuca e tem como função não só eliminar vento mas também aliviar alguns sintomas deocrrentes deste quadros como tonturas ou rigidez na nuca ou mesmo cefaleia occipital a existir.

Subida de Yang do Fígado: 20VB, 3F, 6BP, 3R
20VB e 3F acalmam o Yang do Fígado enquanto que os pontos 6BP e 3R tonificam o Yin.
Outros pontos a usar zumbidos e surdez na medicina chinesa: 2F, 43VB, 5TA, 6MC.

Humidade-Mucosidade: 36E, 8E, 12VC
36E e 8E é uma combinação de pontos de mesmo meridiano, um local e o outro distal, com função de eliminar Humidade da cabeça. O ponto 12VC, tal como o 36E, eliminam Humidade e fortalecem o Baço (é mais fácil eliminar Humidade se o Baço se encontrar forte).
Outros pontos a adicionar: 4BP, 2BP, 20B.

Vazio de Yin e Yang do Rim: 4VG, 4VC, 6BP
Esta combinação é muito boa para fortalecer o Qi do Rim e dar energia ao corpo.
Outros pontos a adicionar zumbidos e surdez na medicina chinesa: 3R, 7R, 23B.

Pontos sintomáticos para sintomas relevantes:
Irritabilidade: Yintang
Suores nocturnos: 6C, 3ID
Cefaleia temporal: 8VB, 41VB, 5TA
Cefaleia parietal: Sishencong, 20VG, 1R.

BIBLIOGRAFIA RELEVANTE PARA ZUMBIDOS E SURDEZ NA MEDICINA CHINESA

DENG, Tietao; Practical Diagnosis in Tradicional Chinese Medicine; ed. Churchill Livingstone, 1ªed.; Edinburg, 1999

YIN, Ganglin; Advanced Modern Chinese Acupuncture Therapy; New World Press; 1ª ed.; Beijing; China; 2000

ZHIXIAN, Long; et ally; Acupuncture & Moxibustion; edited by Beijing University of Traditional Chinese Medicine, Academy Press, ISBN 7-5077-1269-9, 1ª edição, Beijing, 1999

JUNYING, geng; Et Alli; Selecionando os Pontos Certos de Acupunctura: Um Manual de Acupunctura; Ed. Roca; 1ª Ed.; São Paulo, 1996

BannerFans.com

SUBSCREVE A NOSSA LISTA DE MAILS

Assina a nossa lista de mails e recebe todos os nossos artigos, promoções e cursos. Não percas nenhuma novidade!

Comments

  1. Andrea says

    Estou a adorar o teu blog,parabéns.
    Sou aluna do 5ºano da APA-DA,e estou neste momento a fazer tratamento a uma paciente do meu caso clínico para este problema,o tratamente que estou a efectuar foi o proposto pelo Drº da Clínica mas não está a surtir muito efeito,com a tua publicação vou rever o diagnóstico,espero melhoras futuras!

  2. nuno lemos says

    Boas Andrea.
    fico feliz por saber que o site te agrada.
    Relativamente ao teu caso: existem casos de zumbidos e surdez que são incuráveis como por exemplo quando devidos a traumas de trabalho. Nota também que no diagnóstico, em casos reais, muitas vezes, não existe somente um padrão clínico. Estes casos são aproximações para que os profissionais possam ter noção de quais os principais sintomas. Além do diagnóstico, que pode estar correcto, também deverias rever a acupunctura e matéria médica. Muitas vezes o problema não está no diagnóstico mas sim na terapêutica. Finalmente, também podes estar em frente a um paciente que pura e simplesmente não responde aos tratamentos. Acabas por ter várias hipóteses. lolololol
    Boa sorte para ti e as melhoras para o paciente

  3. Paulo Baião says

    Viva! Tudo bem?
    Em pesquisa na net, venho a descobrir mais um blog, e este bastante interessante! Descobri que nele contêm algo que me desperta muita curiosidade, talvez por sofrer desses sintomas, os zumbidos!
    Há cerca de dois anos que padeço deste problema…apitos, cigarras, cachoeira, os sons que lhe queiram apelidar, para mim não deixam de ser muito incomodos! A minha audição é boa, não existe trauma acústico, nem cera no ouvido, enfim, ouvido normal! É certo é que surgiram e nunca mais se foram embora! Tento viver com eles, mas nem sempre é facil…Ainda gostava de um dia encontrar uma melhor solução para tal, uma vez que me tira noites de sono, e qualidade de vida!!!
    Paulo Baião – pb.arq@clix.pt – Lisboa – Portugal

  4. nuno lemos says

    Boa noite Paulo.
    Os estudos ocidentais, até ao momento tem mostrado que a acupunctura poderá induzir alterações de curto prazo (Laureel, et ally, 1988) ou não ter resultados palpáveis.
    Um estudo de Vickers, Wilson e kleijnen (Effectiveness bulletin) que consistiu na análise de estudos de revisão concluiu isso mesmo. Outra meta-análise de White et ally (Efficacy of Acupuncture as a treatment for Tinnitus: A systematic review) onde se analisavam estudos randomizados não demonstrou eficácia por parte da acupunctura. Dentro destes estudos existia grande variedade desde protocolos fixos a protocolos personalizados.
    Outro estudo de Axelsson, et ally (Acupuncture in the Management of Tinnitus: A Placebo-Controlled Study) concluiu que a acupunctura não possuia nenhum efeito observável.
    Noutro estudo de Marks et ally (A controlled trial of acupuncture in tinnitus) publicado no The Journal of Laryngology & Otology (1984), 98:1103-1109 Cambridge University Press concluiu que 35% dos pacientes tinham sofrido ligeiras melhoras mas mostrou-se incapaz de o demonstrar objectivamente pelo que o estudo tem pouco poder. O estudo também mostrou que não existiam diferenças entre grupos placebo e de acupunctura.
    Outro estudo de Hansen et ally (Acupuncture treatment of chronic unilateral tinnitus—a double-blind cross-over trial) concluiu pela inexistência de diferenças entre grupos placebo e acupunctura verdadeira indicando ainda que não existia nenhuma relação entre os dados subjectivos do paciente e os dados provenientes de análise objectiva.
    Outro estudo de Vincent e Richardson intitulado “Acupuncture for some common disorders: a reviewof evaluative research” faz um estudo mais exaustivo sobre a história dos resultados em investigação nos zumbidos. Apesar de ser um texto longo decidi publicá-lo na sua totalidade:
    “Sensorineural deafness and tinnitus
    The history of research into the treatment of sensorineural
    deafness by acupuncture reads like a cautionary tale for researchers.
    It has been well summarized by Taub. 19 The principal finding
    is that early reports of subjective improvements2&22 have
    not been supported by later studies involving audiometric
    measures and a more systematic use of subjective self-report
    measures. Rosen20 reported that in 1959 the Eleventh People’s
    Hospital, Shanghai, had been claiming success in 80-907o of
    patients, but that later estimates of improvement had been
    drastically lowered. In Leung and his colleagues’ study23
    audiometric evaluations were obtained on 38 patients following
    the 4th, 8th, 16th and 24th acupuncture treatment. Fiftyeight
    per cent of the patients reported some subjective improvement
    but there was little change on the audiograms. Studies by
    Eisenberg and colleagues24 and Rosen20 on 14 adults and 30
    children respectively also failed to show any audiometric changes
    of clinical significance. Rosen treated the 30 children for six
    months, providing approximately 15 acupuncture treatments per
    month. Even with such intensive treatment none of the
    78 Journi
    Review article
    measurements showed improvements of clinical or statistical
    significance and only two of the children exhibited any signs
    of consistent improvement in hearing levels. Madell in a similar
    study on 40 children also failed to show any effect of acupuncture
    on sensorineural deafness.25
    Finally, in 1982 a report was made from the Beijing Research
    Institute of 1000 cases of sensorineural deafness treated over
    a period of 20 years.26 They concluded that ‘… acupuncture has
    little effect on deaf mutism and sensorineural lesion as revealed
    by audiometry. It may be of some benefit in the recovery of
    an active and reversible cochleoneural lesion as shown in a few
    cases, but in the vast majority of cases acupuncture does not
    exert any influence on the course of the disease. Thus the earlier
    enthusiasm generated by reports based on subjective impressions
    of improvement has not been sustained when more careful
    studies have been carried out.
    Two controlled studies of the treatment of tinnitus by acupuncture
    have been carried out.27’28 Both compared true acupuncture
    with a form of sham acupuncture involving minimal
    penetration. Both were of crossover design and claimed to be
    double blind though strictly speaking they were single blind with
    independent assessment; that is the therapist was not blind to
    the treatment condition. In Hansen and colleagues’ study27
    subjects received six sessions of both true and sham acupuncture
    and change was assessed with a crude subjective rating scale
    and a sound balancing technique. The authors reported a significant
    reduction in subjective ratings of symptoms over the course
    of the trial for patients who had placebo acupuncture first but
    as there was no difference between true and placebo acupuncture
    for this group of patients the authors did not attribute this
    change to the effects of acupuncture. Subjects in Marks and colleagues’
    study28 received only two sessions of true and sham
    acupuncture. Five subjects out of 14 experienced a subjective
    improvement after true acupuncture, but this was not confirmed
    by tinnitus matching tests or visual analogue measures. No
    significant changes of any kind were reported for the sham
    group. Changes in the loudness of the tinnitus above threshold
    were recorded in both groups but these apparently did not reach
    significance. The authors of both studies commented that tinnitus
    matching might not reveal small subjective improvements.
    While neither study revealed any significant effect of acupuncture
    on tinnitus, Marks and colleagues speculated that a subgroup
    of patients might exist who would benefit with more sustained
    treatment. A possible criticism of both studies, especially
    that of Marks and colleagues, is that too little treatment was
    given to assess adequately the possible contribution of acupuncture
    in such a refractory condition.”

  5. José says

    Mais uma vez o Nuno refere estudos. Isso é outra forma de dizer “eu pessoalmente nunca tive sucesso a tratar zumbidos”? É que por outro lado encontro no seu blog imensos pontos que diz terem como indicação zumbidos e isso confundiu-me.

    O único estudo bom que conheço e que foi feito por metodologia que respeita o diagnóstico e raciocínio da medicina tradicional chinesa, mostrou bons resultados. Esse estudo diferenciava os doentes com zumbidos por subida de yang do fígado e/ou vazio de yin do rim.
    Como não respeita os preceitos do método científico suponho que para si seja um mau estudo, mas a mim preocupa-me mais que, já que é medicina chinesa, respeite os princípios da mesma.

  6. nuno lemos says

    Boas José
    Espero que neste momento já me conheças suficientemente bem para saber que eu dou mais atenção ao que a MTC diz e ao que os estudos cientificos dizem do que à minha própria experiência profissional.
    E não, referir estudos não significa que não tenha sucesso a tratar zumbidos. Zumbidos em pacientes com rinite e decorrentes desta são facilmente tratáveis, zumbidos provocados por pontos gatilho também são facilmente tratáveis enquanto que zumbidos provocados por exposição prolongada a sons altos – decorrentes de traumas de trabalho por exemplo – não tem cura. Estas diferentes causas podem ter diferentes padrões clínicos em MTC pelo que fica dificil fazer um estudo correcto atendendo somente à diferenciação em termos de MTC.
    É evidente que no meu blog encontra pontos para tratar zumbidos. Existe uma grande diferença entre mostrar como a MTC pensa ou como selecciona os pontos ou faz o diagnóstico e proivar que realmente funciona ou qual o seu real efeito clínico.
    Gostaria também que se parasse com essas histórias de “eu pessoalmente não tenho sucesso clinico”. Conheço bem todos os pontos de acupunctura e as suas indicações clínicas na MTC e não preciso de alguêm a insinuar uma certa incompetência da minha parte porque uso artigos cientificos.
    Relativamente ao estudo que conhece: se ele não respeita os preceitos da investigação cientifica, como dá a entender, como pode ter a certeza que as conclusões desse estudo estão correctas? Um estudo que respeite os princípios da MTC e não respeite os principios de investigação cientifica muito dificlmente irá apresentar resultados sólidos. Supostamente estamos numa discussão sobre investigação cientifica e não religião.
    Está a entrar numa falsa questão. Fazer investigação cientifica não implica abandonar os preceitos da MTC. E já agora: os pontos para tratar zumbidos são praticamente os mesmos independentemente do padrão clinico. Os outros pontos usados são para tratar outros sintomas decorrentes do padrão clinico, como seja suores nocturnos, boca e garganta seca, irritabilidade, etc… Se analisar bem o texto sobre zumbidos e outros textos que descrevem o diagnóstico e o pensamento da acupunctura em MTC vai ver que é assim que as coisas são feitas, na maioria das vezes.
    abraço e bom natal

  7. José says

    Os pontos são os mesmos? Isso além de ser uma espécie de afirmação de que “ponto X é para isto” e logo trata-se de uma forma sintomática, é praticar medicina chinesa por protocolos! O Nuno lá saberá o que aprendeu e o que ensina, mas eu aprendi que a medicina chinesa bem praticada é exactamente o contrário disso.
    Essa é também a razão pela qual os estudos que envolvem a acupunctura falham e acabam por não provar coisa nenhuma. Para eles todos os doentes são alvos para a chapa 5, independentemente do resto. Têm uma patologia ou uma queixa (sintoma), logo todas as dezenas de sujeitos terão o mesmo tratamento. E isto já sem entrar na questão dos falsos grupos placebo que são a prova provada de que quem faz os estudos não sabe pêva de medicina chinesa.
    Que alguém que sabe de medicina chinesa lhes dê importância é coisa que muito me espanta.

    Em todo o caso, se quiser ler, o artigo é o seguinte:
    Acupuncture for tinnitus: A series of six n=1
    controlled trials
    Andrew Jackson, a, Hugh MacPhersonb, c,∗, Seokyung Hahnc, d
    a Northern College of Acupuncture, York, UK
    b Foundation for Traditional Chinese Medicine, York, UK
    c Department of Health Sciences, 2nd Floor, Seebohm Rowntree Building, University of York, Heslington
    d Medical Research Collaborating Center, Seoul National University Hospital, Seoul National University, College of Medicine, South Korea
    Deve estar disponível em http://www.elsevier.com/

    Logo na introdução os autores são concisos e certeiros, duplicando inteiramente a minha opinião sobre o porquê de um conjuntos de vários n=1 ser a forma correcta de estudar a eficácia (ou falta dela) da acupunctura e o porquê do método científico ser totalmente desajustado para esse efeito. Recentemente tenho lido mais opiniões em fóruns e mesmo em entrevistas e fico feliz de ver que mais acupunctores concordam, independentemente da sua base ser tradicional ou moderna.

    Quanto à sua experiência pessoal, acertei então, não tem sucesso a tratar e vai mesmo mais longe ao ponto de dizer que não tem cura. É bom saber que não tem dúvidas (e que raramente se engana?)…
    Eu felizmente tenho uma experiência diferente, assim como vários dos meus professores tinham.

  8. nuno lemos says

    Boas José. Irei tentar dividir a minha resposta em partes.
    1 – O José escreveu: “Os pontos são os mesmos? Isso além de ser uma espécie de afirmação de que “ponto X é para isto” e logo trata-se de uma forma sintomática, é praticar medicina chinesa por protocolos! O Nuno lá saberá o que aprendeu e o que ensina, mas eu aprendi que a medicina chinesa bem praticada é exactamente o contrário disso.”
    Diga-me uma coisa: o que tratam os pontos 2VB, 19ID e 21TA? Sabe em que consiste a combinação de pontos em MTC? Como parece não saber eu tentarei explicar: a combinação de pontos é o procedimento usado para se construir um protocolo de acupunctura – seja personalizado ou não (isto parece ser um pouco confuso na sua resposta). Existem várias etapas desde a selecção de pontos locais, distais e sintomáticos, até à selecção de pontos do mesmo par de meridianos. A base de qualquer de protocolo é exactamente: SELECÇÃO DE PONTOS LOCAIS, DISTAIS E SINTOMÁTICOS. É a partir desta base que nós diferenciamos a queixa principal do padrão clínico num protocolo de acupunctura. Um exemplo simples:
    2VB-17TA-34VB-protocolo usado para tratar zumbidos por estagnação de qi. Como sei que são zumbidos? Pelos pontos locais. É simples. Outro protocolo:
    2VB-19ID-6BP-3R-7R – zumbidos por Vazio de Yin do Rim. Como sei que são zumbidos? Pelos pontos locais e sintomáticos.
    Existe efectivamente um conjunto de pontos em MTC que são considerados sintomáticos. Tradicionalmente os pontos sintomáticos eram usados para tratar sintomas que não tivessem uma localização especifica no corpo como febre, enquanto que outros problemas, com localização especifica seriam tratados por pontos locais (2VB, 21TA, 19ID para zumbidos, por exemplo). Actualmente podem também considerar-se como pontos sintomáticos todos os pontos que tratem determinado sintoma independentemente do padrão clínico. Por exemplo, os pontos 2VB, 19ID e 21TA são sintomáticos para o tratamento de zumbidos. É dificil de compreender? Eu não sei o que lhe ensinaram, mas sei que não consegue estar dentro de uma discussão mais técnica sobre MTC.
    2 – escreveu: “Essa é também a razão pela qual os estudos que envolvem a acupunctura falham e acabam por não provar coisa nenhuma. Para eles todos os doentes são alvos para a chapa 5, independentemente do resto.” Este é um problema diferente e não tem nada a ver com o que foi dito atrás. Você está a confundir as coisas. Eu não lhe estou a dizer que não se devem fazer protocolos personalizados ou que os pontos seleccionados nada tem a ver com protocolos personalizados. Para compreender este segundo aspecto abordemos a questão do diagnóstico e da definição de princípios terapêuticos.
    No desenvolvimento do diagnóstico interessa saber quais os sintomas do paciente e a relação formada entre estes: por exemplo, zumbidos surgem com estados de irritabilidade. Neste caso temos uma relação causal entre dois sintomas. Supondo que neste paciente o diagnóstico seria estagnação de qi do fígado e atendendo aos princípios de tratamento que definem tratar simultaneamente a causa e a manifestação, poderíamos definir os seguintes princípios terapêuticos: 1 – aliviar zumbidos
    2 – mover qi do fígado
    3 – acalmar a mente
    Atendendo a estes princípios terapêuticos eu posso formular um protocolo final e perfeitamente personalizado ao caso do paciente:
    2VB, 21TA, 17TA, 34VB, 13VB, 24VG, 5TA, 3F
    Neste protocolo tenho todos os meus princípios terapêuticos e é personalizado ao paciente. Eu explico melhor:
    1 – aliviar zumbidos: 2VB, 17TA, 21TA, 5TA
    2 – mover o qi do fígado: 5TA, 34VB, 3F
    3 – Acalmar a Mente: 13VB, 24VG
    E também obedeço aos princípios de combinação de pontos, ESTABELECIDOS PELA MTC. Quer ver como faço? É simples:
    pontos locais e sintomáticos: 2VB, 21TA, 17TA
    Pontos distais: todos os outros.
    Pontos de acordo com o mesmo meridiano: 2VB-13VB-34VB e 21TA-17TA-5TA
    Pontos de meridianos acoplados: VB-F
    Pontos de pares de meridianos: VB-TA
    etc…
    E se existissem diferenças entre pequenos sintomas eu poderia alterar o protocolo: por exemplo se os estados de irritabilidade fossem muito intensos poderia fortalecer com pontos para acalmar a mente, se existissem sintomas acompanhantes como cefaleia ou dor no hipocôndrio poderia usar pontos de forma a intervir nestes sintomas igualmente. Parece-lhe ser chapa 5?
    3 – escreveu: “E isto já sem entrar na questão dos falsos grupos placebo que são a prova provada de que quem faz os estudos não sabe pêva de medicina chinesa.
    Que alguém que sabe de medicina chinesa lhes dê importância é coisa que muito me espanta.” Nunca afirmei que todos os estudos que apresentam grupos placebo estão bem feitos. Como tal nem compreendo esta critica. Existe muita discussão sobre a forma de se criarem grupos placebo para estudos em acupunctura e os investigadores estão cada vez mais atentos a essa questão. E se há pessoas que sabem MTC e lhes dão atenção é porque também tem consciência da importância da investigação cientifica.
    4 – em relação ao estudo apresentado. Ele é muito bom. Eu gosto dele, apesar de não o ter usado. Até estou a pensar em publicar na íntegra a introdução desse estudo. Mas não espera que eu pegue em 6 casos isolados e esqueça todos os outros estudos. Porque isso não tem valor nenhum. Eu apresentei estudos de revisão onde se encontram vários grupos de pacientes e onde é possível obervar grupos onde não houve resultados e grupos onde houve resultados subjectivos mas não objectivos e grupos onde acupunctura verdadeira e placebo apresentaram os mesmos resultados – estando ou não bem feitas -. Mas o José espera que eu mande para o lixo aquela informação basicamente porque você não concorda com os resultados obtidos. Basicamente só tem seis pacientes. Também existe outro estudo semelhante de Brian White que já foi aqui mencionado mas não lhe consegui acesso. Estes estudos são importantes para se estudarem evidências relativamente a um tratamento mas não tem poder. Não tem a capacidade de prova que as meta-análises tem. E espero que não tenha ficado com a ideia que só estes estudos é que permitem protocolos personalizados, ou adaptação do tratamento consoante a evolução dos sintomas do paciente! Isso seria bastante ingénuo.
    4 – quanto à minha experiência profissional: mais uma vez +peço para não manipular o que eu afirmei. Eu afirmei claramente: “Zumbidos em pacientes com rinite e decorrentes desta são facilmente tratáveis, zumbidos provocados por pontos gatilho também são facilmente tratáveis enquanto que zumbidos provocados por exposição prolongada a sons altos – decorrentes de traumas de trabalho por exemplo – não tem cura.” O que é que isto tem a ver com a sua afirmação: “Quanto à sua experiência pessoal, acertei então, não tem sucesso a tratar e vai mesmo mais longe ao ponto de dizer que não tem cura”. O que eu lhe disse é que existem determinados tipos de zumbidos que não tem cura e não sou eu que lhe digo isto. É TODA A CIÊNCIA OCIDENTAL. NÃO EXISTE CURA PARA SURDEZ OU ZUMBIDOS DECORRENTES DESTE TIPO DE TRAUMAS. E ISTO PODE SER IMPORTANTE QUANDO SE ACEITAM PACIENTES COM ZUMBIDOS NÃO ACHA? TAMBÉM PODERIA PENSAR QUE A DIFERENCIAÇÃO OCIDENTAL DA CAUSA DO ZUMBIDO PODERIA SER RELEVANTE NO ESTUDO DA EFICÁCIA DA ACUPUNCTURA. E sim, tenho boa experiência a tratar zumbidos numa série de situações diferentes, algumas das quais já foram mencionadas e noutras não. Mas se você consegue tratar zumbidos e/ou sudez provocadas por traumas de trabalho – exposição prolongada a sons muito altos – porque não escreve um artigo baseado em n=1 com vários pacientes? Não manipule é o que escrevo.
    abraço e feliz natal

  9. nuno lemos says

    Como prometido publico aqui na íntegra a introdução do estudo mencionado pelo José:
    “Tinnitus, from the Latin ‘‘tinnere’’ meaning to ring, has a reputation for being a difficult disease to treat, whether by conventional medicine or by
    acupuncture. For people with tinnitus, the condition can vary from a low level buzzing to a noise of such intensity it can lead to severe anxiety, despair and even suicidal tendencies.
    Acupuncture has been much used for tinnitus over the years, however recent attempts to demonstrate acupuncture’s effectiveness have not provided definitive evidence. A systematic review by Park et al.1 found that the evidence from six eligible randomised controlled trials was not adequate to make a judgment as to acupuncture’s effectiveness for tinnitus. Their commentary highlighted various shortcomings from these trials, including ‘‘disappointing’’ methodology. They criticised the inappropriate use of crossover designs in four ofthese trials, because carryover effects can be expected from acupuncture. Inadequate reporting meant that the rationale for points used was not always stated. No authors quoted the classical literature and the trials using individualized points did not report traditional diagnostic frameworks nor related procedures for point selection. One trial used only ear points.2 Another used the same points for both the real and ‘‘sham’’ acupuncture, but with the so-called sham points being inserted subcutaneously,3 an approach that has largely been rejected on the grounds that such sham treatments can be expected to result in acupuncture effects.4 Extraordinarily, this trial received the highest quality rating on Park et al.’s methodology scale. Despite the problematic nature of the reviewed trials, Park et al’s research has led to a questionable reinterpretation and unsubstantiated conclusion that acupuncture is ineffective for tinnitus.5 On the basis that there is inadequate evidence to draw conclusions to date, we have designed a simple study on a limited budget to explore patient’s perceptions of outcome from acupuncture.
    We utilised an n = 1 design which can fit well with a treatment approach based on individualised acupuncture, and where point selection is usually reformulated at each ongoing session based on changes to presenting symptoms over time.6 If the condition under investigation is chronic, then we can argue that sufficient baseline measures might demonstrate reasonable stability to the pretreatment chronicity. If so, improvements cannot therefore so easily be dismissed as due to the natural history of the disease.
    In the investigation of new drugs, the usual n=1 trials are double blind, cross-over, randomised, and controlled. They are generally used for chronic, stable conditions for which the proposed treatment has a rapid onset of action and ceases to act soon after it is discontinued, that is with no carry-over effect.7 The patient undergoes a series of pairs of treatment periods, one period of each pair with the active drug and one with matched placebo, assigned at random. Pairs of treatment periods, sometimes labelled ABAB, etc., are continued until effectiveness is proved or refuted. There are a number of problems with importing this model into complementary and alternative medicine, even though it has been argued that n = 1 designs are ‘‘suitable for some research initiatives in complementary medical practice’’.8 First the treatment effects in CAM may be slow, with a number of treatments usually being required as a minimum ‘‘dose’’ for the full beneficial effects to manifest. For example the impact of acupuncture for the treatment of chronic pain seems to require a minimum of six treatments.9 A second problem is that the ABAB designs require no carry-over effect, so that the effect of treatment in say phase B needs to be sufficiently ‘‘washed out’’ to not affect the measurements
    in the subsequent phase A. However, we know that CAM therapies, and acupuncture in particular,10 can be expected to have ongoing and progressing change both during and after a course of treatment. No time period would be long enough to ‘‘wash out’’ the effect.
    As a result of these concerns, we have drawn on earlier research into behavioural therapy (Barlow and Hersen, 1984), a tradition that has continued in rehabilitation research,11 and chosen the simple AB design as our n = 1 framework. The unique feature of n = 1 controlled trials is that each trial is of a single patient who acts as his/her own control.Because we expected the acupuncture ‘‘dose’’ to require a series of treatments, and the effect to be sustained after the end of treatment, our measurements can be collected in a pre-treatment phase A and a post-treatment phase B. However these measurements will not be amenable to ordinary statistical tests, primarily because the data in each phase will not be independent, i.e. there is likely to be auto-correlation.12 As an alternative to the usual frequentist statistical approach, we have utilised a Bayesian approach, one that has been developed for combining n = 1 trial data in a meta-analysis, but here used to evaluate individual responses to treatment as well as estimate an overall population treatment effect.13″
    abraços e feliz natal

  10. José says

    O Nuno não compreendeu que eu estava a falar no contexto dos estudos.
    Vou responder respectivamente por pontos e tente ter isso em mente para melhor interpretar o que vou escrever:
    1- Eu compreendi isso e sei-o muito bem. No entanto no Nuno deu-me razão. Ora conte o número de pontos que se repetem em todos os protocolos que ‘prescreveu’. Um. Dependendo do diagnóstico, para a mesma queixa (principal) o Nuno repetirá uns 3 ou 4 pontos em 20, que serão os sintomáticos para os zumbidos e eventualmente alguns pontos igualmente sintomáticos com vista a acalmar/relaxar o doente por não dormir bem que é algo recorrente. Nos estudos não é isso que se verifica.
    Quanto à minha capacidade para argumentar numa discussão mais aprofundada, não creio que tenha como saber isso. E não será certamente pela discussão sobre o 27 do Rim, porque fui eu quem não chegou a ter resposta.

    2- O meu ponto não é de todo esse. O que eu disse foi que NOS ESTUDOS é chapa 5 para toda a gente, apenas porque todos têm zumbidos em comum. É isso que se verifica nos estudos, em que os pontos não são escolhidos por consequência de um diagnóstico à luz da filosofia chinesa. São escolhidos unicamente pelo sintoma a tratar. Tudo isso que o Nuno escreveu é muito bonito mas quem faz os estudos que respeitam o método científico ignoram-no completamente. Se não ignorarem, não conseguem respeitar o dito método.

    3- Está a distorcer o meu argumento. O que vejo colegas dizerem é que a maioria dos estudos não tem a validade que pretendem dar por causa disso. Não é propriamente por amarem ou desdenharem a investigação. O ponto é que até agora o método científico e a acupunctura não são conciliáveis e na minha opinião a única forma correcta de estudar a eficácia é através de uma série de n=1 e usando a estatística.

    4- Obviamente, mas mesmo assim é o melhor que conheço. Mesmo sendo apenas 6 n=1, é o único que para mim tem validade porque é o único que reflecte a acupunctura chinesa na realidade. Pena não incluir fitoterapia, mas isso é outro assunto.
    As meta-análises são análises feitas a estudos que na minha opinião não têm validade, portanto são farinha refinada a partir de farinha que não serve para fazer pão. Não melhora nada.

    5- Nunca falei em surdez.
    Tive melhorias num doente com zumbidos por trauma continuado e sei de mais colegas que tiveram. Que quer que lhe diga mais?
    Quanto a toda a ciência, isso é falso. Fique sabendo que há o método da câmara hiperbárica que se for utilizada pouco tempo depois do trauma consegue-se reversão da lesão. Tenho um colega que está bem mais por dentro disto e que já me falou noutros métodos dos quais não tenho agora memória, mas existem e funcionam em certas circunstâncias.
    Negar à partida que a medicina chinesa funcione é apenas preconceito.

  11. nuno lemos says

    Boas José
    Eu compreendi perfeitamente que estava a falar do contexto dos estudos. E nesse contexto digo-lhe que não sabe do que fala. Bastava tomar um pouco mais de atenção ao primeiro comentário para saber que numa das meta-análises (o tipo de estudos que não são bons para estudar MTC) 5 em 6 estudos tinham protocolos personalizados. Os autores (JONGBAE PARK (1) ; WHITE A. R. (1) ; ERNST E. (1) ; ) do estudo (Efficacy of Acupuncture as a treatment for Tinnitus: A systematic review) inclusivamente referem no resumo:
    “Five of 6 studies used inconsistent acupoints”. Por outro lado é de salientar que se a MTC diz que determinado ponto é bom para tratar determinado sintomas, então, isso deveria ser observável em estudos controláveis, como aconteceu com o 6MC no tratamento do vómito.
    Obviamente que existem estudos com protocolos chapa 5. Quando esses estudos dizem o que queremos ouvir é porque a acupunctura é excelente e quando não o dizem é porque estão mal feitos. Neste caso, para azar dos 6 estudos analisados, 5 tinham protocolos personalizados.
    Na verdade a única razão pela qual prefere o estudo que seleccionou é porque você só dá atenção aos estudos que concluem exactamente aquilo que quer ouvir. Se quisesse fazer uma análise minimamente séria acerca da investigação cientifica – coisa que ainda não conseguiu fazer – então deveria levantar todo o tipo de problemas e acima de tudo não mencionar estudos baseado em desculpas chapa 5 que são falsas. Os estudos são muito claros: não existem provas suficientes que demonstrem a eficácia da acupunctura no tratamento dos zumbidos. E uma análise baseada em pressupostos clinicos deveria fazer-nos pensar que diferentes causas de zumbidos podem ser relevantes para a eficácia do tratamento de acupunctura, questão que eu já mencionei e que você ainda não compreendeu.
    Para terminar esta parte gostaria de citar: “Se não ignorarem, não conseguem respeitar o dito método.” Esta frase resume tudo aquilo que não sabe sobre investigação cientifica ou MTC. É perfeitamente possível fazer estudos com protocolos personalizados e não precisam ser estudos n=1. Todas as outras afirmações sobre este problema vem demonstrar exactamente o mesmo problema: desconhecimento da metodologia de investigação cientifica e da forma como se pode aplicar à MTC, sendo o método favorito o único que mostrou resultados mais positivos. Ciência e conveniência são coisas diferentes.
    E aquela história de repetir 3 ou 4 pontos em 20 é um pouco exagerada. Protocolos de 20 pontos… enfim, eu até falava novamente sobre combinação de pontos. Porque não experimenta 3 a 5 pontos em 10? ou em 9?
    Relativamente ao último parágrafo. Eu até me vou citar:
    “zumbidos provocados por exposição prolongada a sons altos – decorrentes de traumas de trabalho por exemplo – não tem cura”
    A isto você respondeu:
    “Tive melhorias num doente com zumbidos por trauma continuado e sei de mais colegas que tiveram. Que quer que lhe diga mais?
    Quanto a toda a ciência, isso é falso. Fique sabendo que há o método da câmara hiperbárica que se for utilizada pouco tempo depois do trauma consegue-se reversão da lesão.”
    Eu poderia falar do problema de se manipular aquilo que escrevi mas enfim….
    abraço e feliz natal

  12. José says

    Gosto daquele estudo porque o posso ler todo e sei que os autores sabiam o que estavam a fazer. Grande coincidência, tiveram bons resultados, como eu já tive. Numa meta-análise sei menos do que se lesse apenas o resumo de cada um dos estudos, que por sua vez já de si seria mau.

    Mas Nuno, respeitosamente, continua a não compreender que o meu problema é que se refugie em estudos sempre que lhe perguntam algo. Isso interessa imenso aos doentes… eles entram no consultório e dizem “Dr, tenho esta coisa aqui no meu hipocondrio, isto é uma chatice. Pode ajudar-me?”
    e o Nuno responde “repare, a comunidade científica diz isto, aquilo, acoloutro e 5 cêntimos”.
    Eu no lugar do doente limitar-me-ia a repetir a pergunta: “pode ajudar-me? consegue? não consegue?”

    Os estudos podem dizer o que quiserem que nunca vão limitar a minha prática clínica. A medicina chinesa sobreviveu sem a validação dos estudos e continuará a sobreviver com ou sem a mesma.
    Se colegas meus em quem confio, autores clássicos, professores ou mesmo eu próprio na minha prática clínica notar bons resultados… por mim pode pegar nos estudos e se os tiver imprimido reutiliza-los de forma a que tenham um fim o mais ecológico possível… que respeitosamente deixo ao critério da sua imaginação. Tenho a certeza absoluta que os doentes pensarão o mesmo.

    Quanto à acusação de manipulação, fez-me sorrir… na verdade desconhecia era por completo a existência dessas armas da medicina moderna, não era? Armas essas que revertem o que disse ser impossível. Deixe lá, ninguém sabe tudo e ás vezes ficamos mal primeiro e aprendemos a seguir. Se não formos arrogantes e não partirmos sempre do princípio que sabemos mais do que os outros, isso acontece menos vezes.

    Tudo de bom para o Nuno e mais sorte no tratamento de zumbidos, sejam eles de que etiologia forem.

  13. nuno lemos says

    Agota está preocupado com o que digo aos meus doentes? Tão querido. Agradeço imenso a sua preocupação. Mas visto não ser um doente meu…. Não espere é só a título de curiosidade? Experimente esta: não minto aos meus doentes. Digo-lhes o que sei, o que se pode esperar de um tratamento, em que consiste, se vale a pena ou não tentar, etc….

    Depois escreveu:
    “Os estudos podem dizer o que quiserem que nunca vão limitar a minha prática clínica. A medicina chinesa sobreviveu sem a validação dos estudos e continuará a sobreviver com ou sem a mesma.”
    Isto significa 2 coisas: em primeiro lugar que vai enganar muitos doentes (vamos ser honestos, a experiência pessoal de uma pessoa diz sempre que aquilo que ela faz funciona extremamente bem. As coisas só mudam de figura quando se pedem dados objectivos e analisáveis com métodos reproduziveis), em segundo lugar que não tem consciência nenhuma da necessidade dos estudos cientificos ou da sua importância na aceitação da MTC ou no seu futuro. A isso chama-se ignorância.

    Quanto ao resto do comentário
    COMENTÁRIO EDITADO

    abraço e feliz natal

  14. nuno lemos says

    Para os leitores do blogue que apreciem mais o conteúdo de artigos cientificos decidi reporduzir na íntegra duas cartas enviadas ao editor de revistas cientificas. A primeira, da autoria de Brian White é uma crítica ao estudo mencionado pelo José, Acupuncture for tinnitus: A series of six n=1 controlled trials:
    Acupuncture for tinnitus: A series of six n=1 controlled trials

    Dear Editor,

    I would like to draw your readers’ attention to two aspects of the recent paper by Jackson et al.: the unusual use of the term ‘n = 1’ trial, and the reporting of a group study as a single case design.1 The research design that is usually known as an n = 1 study in the current scientific literature uses a minimum of three observation periods and preferably more, such as no treatment, treatment A, no treatment. The particular features and requirements of this design have been discussed before in an editorial in this journal.2 They were also discussed by Jackson et al., who argued that acupuncture was likely to have lasting effects on tinnitus and so the usual n = 1 design was not appropriate. They only used two observation periods
    — one before treatment and one afterwards
    — but they still called it an n = 1 study. This is confusing, since it lacked the essential feature of an n = 1 study; it would be more usual to call it a ‘before—after’ study. The authors cited a paper on the subject of single subject research designs, but this paper did not use the term ‘n = 1’.3
    The second point about the study by Jackson et al. is to question why they regard it as a ‘single case’ design anyway: they combined the results in order to analyse them, they reported group findings, and based their conclusion on the combined findings, not the individual patients’ results. This makes it a group design.
    There are two reasons for drawing attention to these aspects of this paper. The first is the important scientific principle that a term should have a single meaning, which everyone agrees on; it is important for CAM research to use standard terminology, or it is likely to be rejected by the scientific community—–presumably the people who it is aimed at. And the second is to discourage other researchers from using the n = 1 design unless they really understanding it deeply. CAM practitioners may think it is attractive to be able to evaluate patients individually, because they treat each one individually: an n = 1 study can determine what is the best treatment for an individual patient, but not what is best for everyone.
    It seems likely that this study design arose from frustration with current conventional research designs; this is appreciated, and there is certainly scope for considering modifications and evolutions of the standard designs. It is a fallacy, although a common one, to think you cannot use customised treatments in a conventional controlled trial. If researchers want to produce results that are generalisable, there is still no way round the need for a group design: and if the results are to be understood and respected by the international community, they should use the standard terminology in the conventional way.

    References

    1. Jackson A, MacPherson H, Hahn S. Acupuncture for tinnitus: a series of six n = 1 controlled trials. Complement Ther Med 2006;14:39—46.
    2. Hart A, Sutton CJ. N-of-1 trials and their combination: suitable approaches for CAM research? Complement Ther Med 2003;11:213—4.
    3. Zhan S, Ottenbacher KJ. Single subject research designs for disability research. Disabil Rehabil 2001;23:1—8.

    Adrian White∗
    N32 ITTC Building, Tamar Science Park,
    Plymouth PL6 8BX, United Kingdom
    ∗ Tel.: +44 1752 764448.
    E-mail address: adrian.white@pms.ac.uk
    Available online 2 October 2006

  15. nuno lemos says

    O segundo artigo é um comentário de mike kummings e thomas lundeberg sonre o mesmo artigo cientifico:
    Editor,
    We would like to comment on the paper by Jackson et al. in the last issue of CTIM.1
    Tinnitus is commonly described as the perception of sound in the absence of external acoustic stimulation. At present no specific therapy for tinnitus is acknowledged to be satisfactory. There are a number of uncontrolled studies in the literature suggesting that acupuncture may be
    effective in the management of tinnitus. This paper suggests that acupuncture may be worth considering in the treatment of tinnitus based on, what by convention would be termed, uncontrolled data; yet the title suggests that the data is controlled.
    Most conventionally controlled studies have failed to show a specific effect of acupuncture in the treatment of tinnitus. This includes a large randomised controlled trial in Sweden (n = 300), recently completed, but as yet unpublished. This study uses the term controlled to refer to a comparison of data in the same subject before and after the intervention. The conventional use of the term controlled refers to studies which compare changes in outcomes in at least two groups of patients, only one of which has received the test intervention, or which compare changes in outcomes between different periods of time, only one of which involves the test intervention. It does not seem justified for the authors to claim that acupuncture might be effective in tinnitus, based on the data from their study, and their use of the term controlled in the title gives more prominence to their results than is deserved.
    An important principle of tinnitus processing is that individual tinnitus appraisal is directly linked to neuronal networks in the brain responsible for
    the production of emotions and cognitions.2 Cognitive processes may be associated with a reduction in the tinnitus cognition threshold, resulting in
    hypersensitivity of cognition. The underlying mechanism is known as sensitisation and is suggested to be a specific learning process. It is likely that
    any intervention will result in amelioration of tinnitus considering the extra attention given to the patients as well as their expectations. This would suggest that until a specific therapy is found (if ever) patients should be offered cognitivebehavioural therapy, which has been shown to be effective.3 When comparing cognitive-behavioural and habituation-based treatments, improvement in general wellbeing and adaptive behaviour was greater in tinnitus coping training than habituation-based treatments.4 Before referring patients with tinnitus to acupuncture, or any other intervention with mainly non-specific effects, the patients should ideally first be offered cognitive-behavioural therapy.
    References
    1. Jackson A, Macpherson H, Hahn S. Acupuncture for tinnitus: a series of six n = 1 controlled trials. Complement Ther Med 2006;14(1):39—46.
    2. Georgiewa P, Klapp BF, Fischer F, Reisshauer A, Juckel G, Frommer J, et al. An integrative model of developing tinnitus based on recent neurobiological findings. Med Hypotheses 2006;66(3):592—600.
    3. Andersson G, Lyttkens L. A meta-analytic review of psychological treatments for tinnitus. Br J Audiol 1999;33(4): 201—10.
    4. Zachriat C, Kroner-Herwig B. Treating chronic tinnitus: comparison of cognitive-behavioural and habituation-based treatments. Cogn Behav Ther 2004;33(4):187—98.
    Mike Cummingsa,∗
    Thomas Lundebergb
    a British Medical Acupuncture Society,
    RLHH, 60 Great Ormond Street,
    London WC1N 3HR, UK
    b Danderyds Hospital, Stockholm,
    Sweden
    ∗ Tel.: +44 20 7713 9437.
    E-mail address:
    medical-director@medical-acupuncture.org.uk
    (M. Cummings)
    Available online 17 October 2006

    Estes 2 comentários poderão elucidar ainda mais a validade do referido estudo.
    abraço e feliz natal

  16. José says

    COMENTÁRIO EDITADO

    O Nuno pode escrever o que quiser, citar os estudos que quiser, falar dos pontos e puxar da retórica falaciosa que quiser. Nada disso mudará o facto de que sempre que responde a uma pergunta de um doente com estudos, isso significa que não trata com sucesso essa patologia. Foi assim sempre que o fez neste blog, pelo menos…talvez seja um padrão, talvez seja coincidência.

    Como tal, refugia-se atrás de estudos e pelo meio diz umas baboseiras que decorrem apenas da sua ignorância e preconceito (vidé “O que eu lhe disse é que existem determinados tipos de zumbidos que não tem cura e não sou eu que lhe digo isto. É TODA A CIÊNCIA OCIDENTAL. NÃO EXISTE CURA PARA SURDEZ OU ZUMBIDOS DECORRENTES DESTE TIPO DE TRAUMAS.”) inclusive quanto à CIÊNCIA OCIDENTAL que tanto defende, independentemente do número de maiúsculas que use ou deixe de usar.

    Passar bem.

  17. nuno lemos says

    COMENTÁRIO EDITADO

    E quanto à experiência e ao tratar com sucesso, você só tem de mo provar e já agora espero que com uma experiência superior a 1 doente. E continua a tentar passar-me um atestado de incompetência unicamente porque os estudos cientificos dizem o contra´rio da sua experiência com 2 doente.

    E tem razão. Nem devia ter escrito blá, blá, blá porque isso significa que não há mais argumentos para falar contigo. Quando tiveres conhecimentos e formação para falar de uma coisa usa-os e vem aqui discutir. De resto não vou perder mais tempo, em particular com trocas de palavras que não levam a lado nenhum.

    Acho que é necessário as pessoas terem direito à resposta e até concordo que em determinados casos se possa usar uma linguagem mais agressiva. Mas nós temos andado numa espiral descendente em ofensas e já não há argumentos para discutir.

    Para mim está claro a conclusão destas discussões:
    1 – a maioria dos estudos dizem que a acupunctura ainda não mostrou provas suficientes de que funcione. Poderão estudos futuros apresentar novos resultados? É possível, mas até ao momento isso não tem acontecido.
    2 – a único estudo que apresentou, foi rapidamente criticado por vários colegas e os seus erros denunciados, aquando da sua publicação. Ao contrário do que possa pensar, os autores não tinham uma ideia muito grande do que estavam a fazer.
    3 – além disso é um estudo com 6 pacientes unicamente, o que está longe de provar o que quer que seja
    4 – existem diferentes causas para os zumbidfos e isso pode ter influencia nos tratamentos de acupunctura. Por exemplo, curar zumbidos provocados por pontos gatilho é mais fácil do que tratar zumbidos devidos a trauma de trabalho – que não tem cura.
    5 – recorrer a estudos cientificos não é sinal de falta de experiência ou resultados clinicos. Mas ter uma experiência que sistematicamente contradiz os dados clinicos é um claro sinal de fraude. Algo extremamente comum nos meios das medicinas alternativas e de cartomancias e tudo o mais.

    Volto a repetir: se existirem argumentos para serem discutidos tudo bem, caso contrário nem vou dar-me ao trabalho de responder a mais nada.

  18. luciana says

    Ola Nuno, otimo Blog! Tenho perda auditiva nos 2 ouvidos, 40dB e 30dB, e muito Zumbido, a perda foi gradual ha 5 anos, mas o ZUMBIDO ha 1 ano, comecei a usar ap auditivos e me deram + zumbido. No momento, faco acupuntura 2 x por semana . O terapeuta aplica proximos do ouvido, entre os ohlos, na cabeca, no braco esquerdo proximo do pulso e na perna esquerda proximo do tornozelo. Comei ha 1 semana. A audicao melhorou um pouco, a sensacao de ouvido tampado tbem. Mas o Zumbido ainda nao, e as x muda o som, parece um apito.
    Por favor, se puder me ajudar: os pontos estao certos? Melhora o zumbido? Minha perda auditiva vai parar? Obrigada. Luciana. Sou brasideira, moro em sao paulo.

    • nuno lemos says

      Boa noite Juliana
      Peço desculpa pelo atraso na resposta. Relativamente ao que me expõe:
      em geral problemas auditivos como zumbidos e perda de audição não tem cura. Pode ser que a acupuntura possa aliviar um pouco os sintomas mas na maioria das vezes os resultados são pobres.
      Quanto aos pontos eu preferia não estar a fazer muitos comentários relativamente ao protocolo uma vez que não conheço o seu caso. Alguns pontos eu consegui perceber quais eram mas outros não. Sem saber o protocolo exato e sem saber os sintomas eu preferia não fazer qualquer tipo de comentário.
      Eu não lhe consigo dizer se a sua perda auditiva vai parar ou não.
      Fico com pena de não lhe poder dar uma resposta mais estimulante.
      as melhoras

      • luciana says

        Obrigada pelo retorno!
        Se uu morasse na Europa fazia lhe uma visita mas to no Brasil. Uma pena!
        Nuno, pude perceber qua nao tem cura, a surdez. E zumbido, mas o q eu gostari de saber eh se o zumbido melhora e a perda auditiva estaciona. Pela sua experiencia e contato com pessoas q possue esta queixa. Entao a acupuntura nao ira melhorar nada? Melhorar eu digo, dimijnuir o zumbido e estacinar a surdez!
        Obrigada
        Luciana

        • Diego Cruz says

          Luciana, boa tarde!
          Também sou do Brasil e estou aqui em SP. Agora, aos 29 anos, tive um perda total de audição do lado direito do ouvido. E o lado esquerdo está péssimo. Estou com tontura e zumbido. Bom, 2 médicos me disseram que não terei mais cura. Mas a acupuntura é a última esperança. Pois bem… Aqui em SP (Capital) encontrei um chinês especializado nisso também. Ele disse que tentará me ajudar de todas as maneiras possíveis. Nem a medicina te da certeza de ajuda. Mas vale arriscar. O difícil é que, no nosso país, é tudo muito caro e o tratamento ficou caro pra mim também. De qualquer forma, dê uma olhada no site aqui:
          http://www.acupuntura-taichizen.com.br/
          Um grande abraço e vamos continuar a busca.
          Só um recado: Na medicina chinesa, eu tenho uma confiança maior. Eles lidam com ‘vidas’, quanto a medicina, só tem nos olhado como clientes. Os médicos mal têm olhado em nossas caras.

  19. says

    Boa noite Luciana

    Pode até acontecer que a acupuntura consiga impedir o agravamento do zumbido. mas é muito difícil. Esse tipo de situações não costuma ter resolução.
    Mais uma vez lamento não lhe poder dar uma resposta mais animadora.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *