verdades absolutas da acupuntura

Verdades absolutas da acupuntura

Nuno Lemos TEXTOS LIVRES 15 Comments

No máximo 10 pontos de acupuntura

Nas muitas verdades absolutas da acupuntura esta é aquela que me chama mais a atenção. Já há uns tempos que eu ouço falar sobre algumas verdades absolutas da acupuntura. Neste caso quems abe verdades escondidas. Uma dessas verdades absolutas da acupuntura afirma que num tratamento de acupuntura não se podem usar mais de 10 pontos. 9 pontos de acupuntura, 8 pontos de acupuntura podem ser usados. 10 pontos de acupuntura podem ser usados… mas 11 pontos de acupuntura? Isso é quase sacrilégio.

Eu adorava que me mostrassem um livro técnico de medicina chinesa (especialmente edições bilingues das universidades chinesas) que defendesse tal coisa. É que me parece que os chineses nunca aprenderam verdades absolutas da acupuntura tão fabulosas.

Além de nunca expressarem publicamente essa preocupação parece inclusivamente terem algum apreço em opor-se à mesma. Permitam-me alguns exemplos ousados retirados das melhores universidades chinesas:

A obra Acupuncture & Moxibustion publicada pela universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Beijing no tratamento de AVC aconselha o seguinte protocolo:

26VG, 12 JING-WELL DA MÃO (9C, 9MC, 11P, 1TA, 1IG, 1ID), 8MC, 40E, 20VG, 3F, 1R.

Ao todo são 12 pontos de acupuntura que falamos. Isto deve ser um novo record. Mas a coisa ainda é pior do que parece. É que estes são somente os pontos principais. Porque depois ainda são aconselhados pontos secundários que devem ser adicionados consoante a presença de sintomas específicos.

Para os dois sintomas mencionados na obra são adicionados mais 6 pontos. Ou seja o protocolo pode chegar a ter 18 pontos. Quase o dobro do permitido por lei em algumas escolas de acupuntura portuguesas. E o AVC não é o único exemplo uma vez que no tratamento da dor o número de pontos ashi associados a outros pontos pode facilmente ultrapassar os 10 pontos.

Infelizmente a elite de especialistas de acupuntura da universidade de nanjing também parece não fazer ideia de conhecimento tão recente (na realidade é tão recente que ainda não deve ter passado as fronteiras nacionais). São verdades absolutas da acupuntura nacionais!

Por exemplo, na edição bilingue Chinese Acupuncture and Moxibustion, aconselham o seguinte protocolo para tratar asma por vazio de yang do coração e rim:

13B, DINGCHUAN, 22VC, 1P, 17VC, 6P, 15B, 23B, 6VC, 4VC, 6MC

Sem dúvida que a maioria dos protocolos apresentados nas obras referidas tem número de pontos igual ou inferior a 10. Mas isso somente porque não era necessário mais do que esses pontos e não devido a uma qualquer lei que impõe o teto máximo de 10 pontos.

 

Limite de pontos para protocolos de acupuntura

 

Um protocolo de acupuntura não tem um limite objetivo de pontos uma vez que diferentes problemas podem precisar de mais ou menos pontos. Usei o exemplo do AVC por ser o mais óbvio. Efetivamente o tratamento do AVC, e muito particularmente, as suas sequelas é um tratamento que facilmente ultrapassa os 10 pontos de acupuntura.

Sabendo que um protocolo é sempre definido pelos seus princípios terapêuticos o que é importante é garantir que qualquer acupuntor consegue compreender os princípios terapêuticos que deram origem a um determinado protocolo. Não interessa se o protocolo tem 7 pontos ou tem 12. Muitas vezes isso depende mais do acupuntor que outra coisa. Não existe um limite fixo de pontos. Obviamente que dificilmente teremos um bom protocolo com 30 pontos.

Provavelmente até será eficaz, mas um protocolo com 30 pontos (especialmente os mais importantes) é uma espécie de antibiótico de largo espectro. Trata de tudo um pouco. Mas dificilmente se perceberão os princípios terapêuticos que lhe deram origem.

E sim, existem correntes de pensamento na MTC que defendem o tratamento de doenças com um único ponto de acupuntura e existem outras correntes a usarem 30 pontos. E os acidentais adoram essas excentricidades.

Mas não se observa a elite das universidades chinesas a fazerem esses malabarismos. Não se definiu a combinação de pontos para depois se mandar fora numa espécie de freak show da acupuntura.

 

A origem da proibição e as reais verdades absolutas da acupuntura

 

Claramente que quem ensina este tipo de coisas não o foi buscar a livros técnicos de medicina chinesa. Não só estas verdades absolutas da acupuntura não aparecem em lado nenhum como, neste caso, é ignorada em muitos protocolos que se podem estudar nas edições bilingues das universidades chinesas.

As pessoas que defendem isto, ensinam ou foram ensinadas, em escolas ligadas a clinicas com hábito de vender as agulhas aos pacientes. É o velho esquema de vender agulhas aos pacientes para proteção dos mesmos e que eu já denunciei em artigos bem mais antigos.

Mas este esquema está adaptado para enganar alunos e levá-los a seguir a mesma prática – ou pelo menos evitar explicar-lhes de onde é que vem esta regra. Como uma caixa de agulhas tem 100 agulhas e, na altura de venda ao paciente, é referido que cada caixa dá para 5 tratamentos ficamos com a utilização máxima de 20 agulhas por consulta de acupuntura.

Uma vez que na generalidade a aplicação da acupuntura é bilateral 20 agulhas significa usarem-se 10 pontos de acupuntura. E assim surge a proibição de se usarem mais de 10 pontos de acupuntura por tratamento. Uma comodidade que beneficia clinicas que fazem rendimento da venda de agulhas.

É bonito saber que o interesse económico de alguns condiciona a aprendizagem de tantos.

Comments 15

  1. Pessoalmente não uso mais do que 6 a 10 agulhas por tratamento, com excepção dos casos de dor. Não vejo a necessidade de usar muitas mais. Quem estuda a fundo a MTC compreende a abrangência clínica de 1 simples ponto de acupunctura e de uma ou duas combinações de pontos para tratar as queixas dos nossos pacientes.

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      1. há quem diga que sim. já ouviste falar da Miriam Lee? usava essencialmente combinações dos pontos: 36E, 6BP, 4IG, 11IG, 7P(com o mínimo de agulhas possível) e via mais pacientes num dia do que tu e eu vemos numa semana.

        1. Pois! e os Drs. Liu Zhao e Zhou Chenhua, ambos do hospital de Jiangyin na provincia de Jiangsu e que estudaram em Nanjing medical school até publicaram um livro onde descrevem com minúcia como, alegadamente , tratam um sem número de doenças só com um ponto!!! O livro vai pelo nome de “Elucidation of single-acupoint, acupuncture and moxibustion therapy” onde dão exemplos de pelo menos 54 “doenças” tratáveis desse modo…
          Provávelmente existem pontos ” miraculosos” que eu ainda não descobri que tratam tudo! Como estão num hospital devem ver centenas de pacientes por mês e com uma larga poupança de agulhas…
          Quanto à Miriam Lee confesso que não sei quem é, e por isso, não sei onde trabalha ou trabalhou e se tinha acesso a uma população diferente em crenças e em quantidade da de Portugal. O facto de ela ver mais doentes que o Pedro e o Nuno, não faz dela um génio, mas tão sómente uma pessoa que vê muita gente.Tratar tudo sempre com os mesmos cinco pontos não me parece boa prática clínica e confesso que em quase duas décadas a trabalhar em diversos hospitais da china espalhados por diversas provincias, nunca tal vi! Mas a acupunctura tem “mistérios insondáveis” que talvez só as Miriam Lee deste mundo conhecem, talvez por serem sobredotados. Como dizia há tempos um tal Borges economista, se um aluno meu me dissesse isso num exame, chumbava mesmo. Mas admito que possa estar errado…

          1. Post
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            Boas Pedro
            Tenho de partilhar da opinião do Jorge e de um tal Borges
            “se um aluno meu me dissesse isso num exame, chumbava mesmo. Mas admito que possa estar errado…” Eu tinha uma aluna que para cada problema de saúde apresentado usava os 4 portões. Depois ficava muito indignada porque não compreendia a razão pela qual eu a chumbava.
            Na realidade o que a Miriam Lee fez não foi nada de especial. Recorreu a 5 pontos que são dos mais comuns. Isso não denota conhecimentos de acupuntura. Na realidade ela ficou conhecida pelo seu protocolo de 10 pontos… o que também não denota conhecimentos vastos de acupuntura.
            Pegar em 10 pontos que são dos mais usados em acupuntura não tem ciência nenhuma…
            E esperas mesmo tratar com esses 5 pontos todos os problemas que te aparecem na clínica?
            Paralisias faciais, neuropraxia fibular e AVC são problemas tratados principalmente com pontos locais.
            E o que dizer de problemas dolorosos? Trigger points nos escalenos a provocar dor na omoplata dificilmente terão o mesmo tratamento que trigger points no g~uteo minimo a provocar dor tipo ciática. E o que dizer quando a ciática é provocada por uma hérnia lombar? ou por tensão muscular nos piramidais?
            Se há algo certo relativamente à dor é que os pontos locais são os mais importantes. Por exemplo, na minha prática clinica, 90% ou mais dos pacientes apresentam dor. Logo em mais de 90% dos pacientes eu preciso mais de pontos ashi do que um protocolo generalista.

            O que parece que não percebeste é que não é o tamanho do protocolo o principal indicador da sua qualidade. Existem acupuntores que preferem usar protocolos maiores e outros protocolos de acupuntura mais pequenos. E como vimos isso nota-se nas elites das universidades chinesas.
            A qualidade de um protocolo está dependente da capacidade deste em indicar os princípios terapêuticos nos quais foi construído. Ou seja se eu olhar para o seguinte protocolo:
            25B, 25E, 6TA, 6R, 28E, 11IG, 4IG
            sei que ele é usado para tratar obstipação por calor. E dos principais pontos para a obstipação nenhum pertence aos 5 pontos usados por Miriam.
            É que sintomas muito diferente exigem um conjunto de pontos diferentes.

            Um protocolo que consista nos 5 pontos mais usados, nos 10 pontos mais usados ou nos 30 pontos mais usados não é um sinal de conhecimento.
            E o número de pacientes que ela via num dia também não é indicativo de nada relativamente à qualidade dos protocolos dela.
            Tu podes achar que o estudo aprofundado da MTC conclui que só se podem usar poucos pontos. Podes achar que os 5 pontos usados por Miriam Lee são milagrosos.
            Mas a elite académica e clinica das universidades chinesas e a elite ocidental de acupuntura moderna não sustenta as tuas crenças. Em nenhum momento.

  2. dizes que a Miriam Lee não fez nada de especial. não concordo. com base nas investigações que fez, conclui que esses eram os melhores pontos para tratar o maior númerio de problemas que ela via em clínica. talvez num ambiente diferente seriam outros, não interessa. todos os acupunctores mais tarde ou mais cedo optam por esta ou aquela abordagem e têm os seus pontos predilectos para tratar um determinado sintoma. se usar poucos pontos não é sinal de grande conhecimento o inverso também é verdade.

    no protocolo que criaste para a obstipação, eu compreendo o raciocínio por detras dele, mas não me sirvo dele nem desse raciocinio para estabelecer um protocolo para tratar o mesmo sintoma. não acredito na universalidaade do conhecimento aplicado no mundo da acupunctura, muito menos quando há imensas abordagens possíveis: científica, teoria dos meridianos, 5 elementos, síndromes, etc. não há mal nenhum em falar e experimentar os conhecimentos adquiridos por acupunctores diferentes. por exemplo, a Miriam Lee usava uma técnica de dispersão no 36E para eliminar calor do coração. nunca ouvi nada parecido quando era estudante. e se refketindo um pouco e aplicar várias formas de conhecimento para observar os efeitos antes de mandar abaixo e gritar “se um aluno meu me dissesse isso num exame, chumbava mesmo. Mas admito que possa estar errado…” ?

    não sejam tão “portugueses”! já chateia… ainda por cima somos colegas.

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      Boas Pedro
      Vou tentar responder usando algumas citações tuas.
      “dizes que a Miriam Lee não fez nada de especial. não concordo. com base nas investigações que fez, conclui que esses eram os melhores pontos para tratar o maior númerio de problemas que ela via em clínica.”
      Ninguêm precisa de conduzir uma investigação para chegar à conclusão que pode usar somente 5 pontos dos mais usados. Qualquer um pode fazer isso. (e não nos vamos esquecer que ela ficou mais conhecida pelo uso de um protocolo de 10 pontos).
      Mas a verdade é que não são necessários conhecimentos de acupuntura para usar aquele protocolo. E a explicação dada para o mesmo (como pode ser encontrado em vários sites na net) não demonstra nenhuma experiência clinica mas tão somente um discursos superfluo sobre teorias chinesas.

      #no protocolo que criaste para a obstipação, eu compreendo o raciocínio por detras dele, mas não me sirvo dele nem desse raciocinio para estabelecer um protocolo para tratar o mesmo sintoma. ”
      Ok respeito isso. Mas pelo menos tem consciência que o que te apresentei é topo nas universidades chinesas. Aquilo que preferes não utilizar implica conhecimentos na área de combinação e classificação de pontos e acima de tudo uma compreensão do pensamento de MTC na formação de princípios terapêuticos e na sua importância para o protocolo de acupuntura. Mas eu presumo que seja mais fácil usar um protocolo generalista.

      “não acredito na universalidaade do conhecimento aplicado no mundo da acupunctura, muito menos quando há imensas abordagens possíveis: científica, teoria dos meridianos, 5 elementos, síndromes, etc.”
      Isto é um contrasenso. Ao defenderes um protocolo de 5 pontos de aplicação quase universal estás a fazer aquilo que supostamente não acreditas. E eu ainda não percebi bem o que significa a primeira parte da frase “universalidade do conhecimento aplicado” mas não tem lógica nenhuma se a pretendes usar para defenderes a tua posição de não usar o protocolo que te referi.
      Relativamente aos tipos de acupuntura que referiste:
      os 5 elementos enquadram-se na teoria dos meridianos na maioria das vezes pela simples razão que eles fazem parte da classificação de pontos. A teoria dos meridianos que é a base de utilização da acupuntura tem a ver muito com a combinação de pontos. A classificação e a combinação não são abordagens possíveis e se achas isso então não compreendeste realmente o pensamento associado ao protocolo usado por mim.
      O uso da acupuntura por síndromes também pode ser feita mas é algo em determinado momento mais filosófico que clinico e mesmo essa abordagem não implica a não utilização da teoria dos meridianos (combinação de pontos é muito importante).
      A abordagem cientifica da acupuntura é uma forma diferente de pensar da acupuntura tradicional mas é algo que tem lógica, tem eficácia e contradiz totalmente a uso indiscriminado de 5 pontos para tratar tudo (tal como o faz a acupuntura chinesa).
      Mas a questão aqui é que estás a dar prioridades a coisas diferentes e não percebes o argumento.
      Um protocolo de acupuntura não é construído com base no diagnóstico e nos sintomas do paciente a maioria das vezes (não incluo a acupuntura moderna nesta análise que estou a fazer) mas sim nos princípios terapêuticos. Ou seja olhando para um protocolo de acupuntura devemos conseguir perceber quais os principios terapêuticos que lhe deram origem.
      Através desses principios terapêuticos eu sou capaz de chegar aos sintomas que lhes deram origem por exemplo mas só a aprtir dos principios terapêuticos.
      Responde-me agora a uma questão: qual ou quais os principios terapêuticos nos quais foi construido tal protocolo?
      Quando tentas olhar para o protocolo e perceber os principios terapêuticos notas que o protocolo simplesmente não tem lógica. Esperas mesmo usar aquele protocolo para tratar palpitações por vazio de yin, prolapso retal por colpaso de qi ou diarreia por vazio de yang do rim?

      “optam por esta ou aquela abordagem e têm os seus pontos predilectos para tratar um determinado sintoma.”
      Mas o pensamento subjacente à construçãod o protocolo é sempre muito idêntico. Pelo menos nas universidades chinesas. É evidente que se te afastares do meio académico e clinico das universidades chinesas e entrares num mundo ond a acupuntura se confunde com escrita criativa então provavelmente vais ver muitas abordagens diferentes. E atenção que existe uma variação nos pontos que podemos usar mas esse leque de pontos tem fronteiras bem definidas.

      “se usar poucos pontos não é sinal de grande conhecimento o inverso também é verdade.”
      concordamos totalmente. Deixei isso escrito no artigo. Vou voltar a chamar-te a atenção para os principios terapêuticos e para as regras de construção de um protocolo.

      “a Miriam Lee usava uma técnica de dispersão no 36E para eliminar calor do coração. nunca ouvi nada parecido quando era estudante.”
      Eu adoro essas técncias de manipulação de agulha. Dois acupuntores diferentes fazem a mesma técnica para obter resultados diferentes e depois fazem técnicas opostas para obterem o mesmo resultado. Um aluno meu ficou muito confuso quando começoiu a observar isto na China. Talvez o importante seja a estimulação no ponto e não o tipo de estimulação. Já pensaste nisso? Já reparatse que na acupuntura existem imensos pontos com funções opostas ao contrário da matéria médica? Dou-te exmplos: 14VG, 20VG, 1R, 4IG, 11IG, ETC… porque será que isto acontece?

      E deixa-te dos lamentos finais. Somos colegas e estamos a discutir algo em que não concordamos. Eu não te posso obrigar a discutir obviamente mas caso o decidas fazer tenta não usar argumentos de “somos tomos colegas”. Temos obviamente opiniões diferentes, vamos discuti-las.

      1. Mais uma vez tenho de concordar com o Nuno de que a questão aqui não é a de sermos colegas. É claro que somos colegas senão nem me dava ao trabalho de estar aqui a falar do que quer que seja. Respeito por isso as opiniões do Pedro mas não tenho que concordar com ela. Continuo a dizer que não sei quem é a Miriam.

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  3. Parece que o meu «lamento final» deu os seus frutos. Achei o teu comentário mais construtivo. Então vamos lá ver.

    Escreveste: «Ninguêm precisa de conduzir uma investigação para chegar à conclusão que pode usar somente 5 pontos dos mais usados. Qualquer um pode fazer isso.» COncordo, mas tu podes usar 5 pontos bem escolhidos para estabeleceres um protocolo baseado em princípios terapêuticos. Agora, muito se prende à explicação que tu dás para justificares a utilização desses pontos. Mas lá por ser diferente não significa que seja incoerente, a não ser que recorras a fantasias e coisas energéticas.

    Por exemplo: diarreia por vazio de yang do BP. 36E, 4IG, 25E, 15BP, 3BP. Este protocolo é simples e teoricamente é suficiente para resolver o problema. E usas apenas o Yang Ming e o Elemento Terra, que estão ligados ao BP/E/Intestinos. Em relação ao princípios terapêuticos podes dizer: e pontos para tonificar o yang? Eu respondo, tens o 36E e o 4IG que são pontos com grande capacidade de tonificação e restauração do yang qi. O yang ming é abundante em qi e sangue e tem a capacidade para activar o yang quando este está deficiente. Assim, escusas de usar o 6VC, 4VC, 4VG, 20VG, etc. Não é que não se possa, mas irás sempre utilizar mais agulhas. Digo isto para ilustrar que é possível reduzir o número de agulhas e garantir que os princípios terapêuticos sejam rigorosamente respeitados.

    Escreveste: «Mas pelo menos tem consciência que o que te apresentei é topo nas universidades chinesas.» Em primeiro lugar, estive na China e vi tanto de MTC como pinguins em Marrocos. É certo e inegável que os livros chineses de MTC têm boas construções protocolares em fitoterapia e acupunctura, mas na prática nem sempre são utilizados. Há muita influência do pensamento científico na china e, paradoxalmente, muita generalização dos protocolos para tratar este ou aquele sintoma. Vi o mesmo médico a aplicar o mesmo protocolo para uma dúzia de pacientes. Perguntei-lhe: e qual é o diagnóstico? Ele respondeu: não interessa, eu sei que estes pontos funcionam. Portanto, quando dizes «Mas eu presumo que seja mais fácil usar um protocolo generalista», não te esqueças de incluir os acupunctores chineses.

    Escreveste: «Ao defenderes um protocolo de 5 pontos de aplicação quase universal estás a fazer aquilo que supostamente não acreditas.» Em primeiro lugar, não defendo apenas 5 pontos mas o número mínimo de pontos para cumprir com os princípios terapêuticos baseados num diagnóstico alargado de MTC. O que escrevi sobre a universalidade do conhecimento aplicado é quando te serves de uma base de raciocínio e a utilizas para tratar tudo indiscriminadamente porque não a integras num sistema teórico. Por exemplo, há uma corrente que baseia o seu diagnóstico no abdómen. Tudo bem, mas quando decidem prescrever fitoterapia com base nesse diagnóstico é um contrassenso, porque não é a melhor forma de raciocínio para essa terapia. Os defensores dessa corrente pegam nesse método de diagnóstico e aplicam-no a tudo, ou seja, generalizam em vez de personalizarem. O mesmo acontece com outros métodos de raciocínio. Dei os exemplos: científico, síndromes, 5 elementos, etc. Não é dizeres que «Mas a questão aqui é que estás a dar prioridades a coisas diferentes e não percebes o argumento.» porque eu compreendo o argumento e estabeleco as minhas prioridades em função do que tenho à minha frente. Não crio protocolos de maneira académica mas sempre em função do paciente e com o conhecimento teórico da MTC.

    Por fim, escreveste: «Talvez o importante seja a estimulação no ponto e não o tipo de estimulação. Já pensaste nisso?» Já pensei nisso sim senhor, e concordo com o que dizes. Não utilizo técnicas de dispersão nem tonificação porque não vi nada de especial nos resultados na minha prática clínica. Contudo, dei esse exemplo para ilustrar que a experiência pessoal de cada um pode ser estudada para perceber como é que esse fulano compreende e aplica o mesmo conhecimento que nós. Vejo isso como um enriquecimento.

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      “Parece que o meu «lamento final» deu os seus frutos. Achei o teu comentário mais construtivo.”
      É claro. Toda a gente compreendeu o intuito do teu comentário e toda a gente observou um aumento enorme na construtividade dos meus comentários.

      “COncordo, mas tu podes usar 5 pontos bem escolhidos para estabeleceres um protocolo baseado em princípios terapêuticos. Agora, muito se prende à explicação que tu dás para justificares a utilização desses pontos. Mas lá por ser diferente não significa que seja incoerente, a não ser que recorras a fantasias e coisas energéticas.”
      Isto não tem nada a ver com o que foi discutido. O que está em causa foi a tua defesa de um protocolo de 5 pontos aplicado a quase tudo e não protocolos pequenos baseados em principios terapêuticos e construidos de forma sólida. E a explicação dada para os 5 pontos (pelo menos a explicação que se encontra na net) tem o seu quê de fantasia.

      “Digo isto para ilustrar que é possível reduzir o número de agulhas e garantir que os princípios terapêuticos sejam rigorosamente respeitados.”
      concordo com esta frase e com o exemplo usado. Mas efetivamente já estás a falar de algo diferente. Volto a perguntar: quais são os principios terapêuticos nos quais se baseia um protocolo como o protocolo de 5 pontos da Miriam Lee? E também é importante ver como foi construído.

      “É certo e inegável que os livros chineses de MTC têm boas construções protocolares em fitoterapia e acupunctura, mas na prática nem sempre são utilizados. Há muita influência do pensamento científico na china e, paradoxalmente, muita generalização dos protocolos para tratar este ou aquele sintoma. Vi o mesmo médico a aplicar o mesmo protocolo para uma dúzia de pacientes. Perguntei-lhe: e qual é o diagnóstico? Ele respondeu: não interessa, eu sei que estes pontos funcionam.”
      Nunca afirmei que eram sempre usados na prática e mencionei as universidades chinesas já por saber que os hospitais chineses podem não ser exemplo para ninguêm. Existem serviços excelentes e a seguir existem serviços que são autênticas inutilidades.
      Quanto aos protocolos para tratar sintomas são protocolos baseados em pontos sintomáticos. Essa abordagem é a mais prática para quem vê inúmeros pacientes por dia como num ambiente hospitalar. Mas atenção que diferentes sintomas tem diferentes pontos. Não tratas uma amenorreia da mesma forma que tratas uma arritmia cardíaca… a não ser que te chames miriam lee.

      “Em primeiro lugar, não defendo apenas 5 pontos mas o número mínimo de pontos para cumprir com os princípios terapêuticos baseados num diagnóstico alargado de MTC. O que escrevi sobre a universalidade do conhecimento aplicado é quando te serves de uma base de raciocínio e a utilizas para tratar tudo indiscriminadamente porque não a integras num sistema teórico.”
      Em primeiro lugar defendeste o protocolo da Miriam Lee. Ponto. Está escrito. Alguma dúvida vai ler o teu comentário. E depois defendeste aquilo em que não acreditas, como o continuas a fazer. O teu último parágrafo, se fosse compreensível, descreveria perfeitamente bem o protocolo da miriam lee. E digo se fosse compreensível porque a base do raciocínio de qualquer protocolo é sempre assente num sistema teórico.

      “Não crio protocolos de maneira académica mas sempre em função do paciente e com o conhecimento teórico da MTC.”
      portanto os protocolos académicos não são baseados no conhecimento teórico da MTC e nunca são feitos em função do paciente. está certo. Faz todo o sentido para mim. E para quem cria protocolos em função do paciente e com conhecimento teórico de MTC vem defender os protocolos da Miriam Lee. Ainda não viste mesmo o contrasenso que aqui existe?

      1. «O que está em causa foi a tua defesa de um protocolo de 5 pontos aplicado a quase tudo e não protocolos pequenos baseados em principios terapêuticos e construidos de forma sólida.»

        Eu nunca defendi um protocolo de 5 pontos. Eu dei o exemplo da Miriam Lee apenas para dizer que de acordo com a experiência de cada acupunctor é possível utilizar uma combinação pequena (ou grande!) de pontos para tratar a maior parte das queixas dos seus pacientes. Talvez a Miriam Lee só tratava pacientes em que a combinação dos seus 10 pontos fosse a mais adequada ou, pelo menos, suficiente e eficaz. Quem sabe!? Ela usava outros pontos: 3R, 3F, 34VB, Sishencong, 40B, 30VB, 5TA, etc quando via que era necessário ir mais longe do que o seu protocolo inicial.

        «Volto a perguntar: quais são os principios terapêuticos nos quais se baseia um protocolo como o protocolo de 5 pontos da Miriam Lee? E também é importante ver como foi construído.»

        Daquilo que percebi, a maneira como ela elabora os princípios terapêuticos é semelhante ao que aprendemos, mas a selecção de pontos é muito baseada na sua compreensão das funções dos pontos, do sistema de meridianos e dos zang fu, utilizando técnicas de tonificação e dispersão. Olha um exemplo tirado do livro dela: náuseas por agressão do fígado ao estômago. Ela utilizou o 36E e o 6MC. O 6MC, diz ela, é um ponto sintomático para tratar náuseas e com acção na região do estomago, enquanto o 36E, utilizando uma estimulação forte, (de dispersão, suponho) é capaz de acalmar o fígado e dominar a subida do qi do estômago. Portanto, tem a ver ao mesmo tempo com o conhecimento das funções tradicionais dos pontos e com a sua experiência pessoal na sua utilização. Aquilo que hoje se sabe das funções dos pontos partiu disso mesmo: experiência, experiência, etc. e observação dos efeitos.

        «Não tratas uma amenorreia da mesma forma que tratas uma arritmia cardíaca… a não ser que te chames miriam lee.»

        Já estás a divagar… e a falar do que não sabes. Mesmo eu que li um livro dela pouco sei, mas tenho uma ideia geral. Tu ficaste com a impressão que ela usa aquele protocolo para tudo, mas isso não é verdade.

        «Em primeiro lugar defendeste o protocolo da Miriam Lee. Ponto. Está escrito. Alguma dúvida vai ler o teu comentário. E depois defendeste aquilo em que não acreditas, como o continuas a fazer.»

        Repito, não defendi, apenas considerei interessante e disse que é um enriquecimento aprender com quem estuda e trabalha na mesma área do que eu. Depois disse que com base na minha prática clínica, as técnicas de manipulação não são tão importantes como a seleção correcta dos pontos de acupunctura. No entanto, posso estar enganado, posso apenas desconheçer a maneira correcta e não tenho a capacidade técnica para as executar de maneira a torna-las eficazes. Até lá, prefiro fazer como sei.

        «a base do raciocínio de qualquer protocolo é sempre assente num sistema teórico.»

        Sem dúvida. Mas não te esqueças que podes ter uma pessoa que abdica ou é incapaz de raciocinar de maneira objectiva e vê o que quer em função daquilo que acredita como verdadeiro. O exemplo que dei é ilustrativo.

        «portanto os protocolos académicos não são baseados no conhecimento teórico da MTC e nunca são feitos em função do paciente. está certo. Faz todo o sentido para mim.»

        Nem sempre, se vires bem um protocolo é uma generalização. Não é a mesma coisa quando tens o paciente à tua frente.

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          Escreveste:
          “Não vejo a necessidade de usar muitas mais. Quem estuda a fundo a MTC compreende a abrangência clínica de 1 simples ponto de acupunctura e de uma ou duas combinações de pontos para tratar as queixas dos nossos pacientes.”
          Depois em resposta a uma simples questão respondeste:
          “já ouviste falar da Miriam Lee? usava essencialmente combinações dos pontos: 36E, 6BP, 4IG, 11IG, 7P(com o mínimo de agulhas possível)”
          Depois escreveste:
          “dizes que a Miriam Lee não fez nada de especial. não concordo. com base nas investigações que fez, conclui que esses eram os melhores pontos para tratar o maior númerio de problemas que ela via em clínica.”
          E depois rematas:
          “Eu nunca defendi um protocolo de 5 pontos.”
          Após ler os teus primeiros comentários a minha ideia imediata é que tu nunca defendeste um protocolo de 5 pontos. Nem sei como alguém pode ficar com essa ideia, com base naquilo que escreveste.
          E eu não tenho dúvida que ela usava mais pontos.

          Tudo o que ela faz, seja um protocolo de 2 pontos ou de 5 pontos é retirado essencialmente da MTC. Nunca coloquei isso em causa. O que coloco em causa é que seja bem-feito. Pelo menos com o exemplo de aplicação generalizada de um protoclo de 5 ou 10 pontos.
          Quanto ao exemplo do 36E e 6MC continua a não deixar-me minimamente impressionado. Qualquer aluno meu do 3º ano conhece esses pontos para tratar esses sintomas (como tu bem sabes). O que ela está afazer não é mais do que a usar 2 pontos sintomáticos e depois dá-lhe um floreado romantico com o tipo de estimulação. Prefiro aqueles protocolos sintomáticos que os chineses usam nos hospitais e que tu tão pouco gostaste… é que esses costumam ser mais completos e tem maior diversidade.

          “Tu ficaste com a impressão que ela usa aquele protocolo para tudo, mas isso não é verdade.”
          Porque será que eu fiquei com essa ideia? Talvez por alguêm ter escrito
          “com base nas investigações que fez, conclui que esses eram os melhores pontos para tratar o maior númerio de problemas que ela via em clínica. “?

          Na realidade, como já mencionei o protocolo de 10 pontos dela até é mais usado. E sim, podes encontrar na net relatos de alunos dela, por exemplo, que seguem o exemplo dela e aplicam-nos de forma mais ou menos indiscriminada. Ou pelo menos assim o deixam entender.

          Sob os protocolos académicos:
          em primeiro lugar, eles são baseados no conhecimento teórico da MTC ao contrário daquilo que afirmas.
          em segundo lugar eles são direccionados para o paciente ao contrário daquilom que afirmas. É óbvio que em muitos livros os protocolos são mais generalizados uma vez que é impossível escrever um livro de acupuntura com protocolos 100% personalizados. Mas eles são feitos em função do paciente: tem um protocolo base, tem variações consoante os padrões clinicos e dentro dos padrões clinicos podem ter variações consoante a presença/ausência ou intensidade de determinados sintomas.

          Quanto às sucessivas voltas e meias que dás qo que escreves acho que não vale a pena dizer mais nada.

          1. Olá Nuno e colegas

            Vou me formar em acupuntura pela ABA aqui no Brasil em Março de 2013. Esperei pacientemente quase 2 anos de estudos em acupuntura para poder opinar aqui no seu Blog. Eu sigo a máxima na acupuntura que “Menos é mais”, mesmo que o meu menos seja com 15 agulhas. Acredito ser possível resolver um problema ou dois com uma única agulha em toda a carreira de um profissional. Acho isso tão raro que não me dou o trabalho de comprar nenhum livro que ensine isso.

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