Marcos anatómicos e topografia dos meridianos – parte III

Qual a limitação anatómica do sistema de medidas cun?

 

Outro problema que se tem de colocar está relacionado com as limitações anatómicas do sistema de medidas cun… mesmo que este seja baseado nessa mesma anatomia.

Eu explico-me melhor. Até agora falamos de sistemas de medidas de cun que se encontram no tórax. Estes sistemas também são usados para se encontrarem pontos no abdómen. Sabendo a referência dos 4 cun relativamente à linha média sagital pode-se encontrar qualquer ponto no tórax e abdómen.

Mas no abdómen também se podem usar outras medidas de cun como é exemplo a distância de 5 cun da LMS à crista ilíaca Antero-superior. Surgem agora dois problemas com a introdução deste novo sistema de medidas.

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Em primeiro lugar, a marcação de pontos, baseado no mesmo, pode incompatibilizar-se com os outros sistemas já referidos. Não pode. Vai incompatibilizar-se.

Em segundo lugar não se pode limitar um deles a uma área do tronco. Por exemplo não podemos usar um dos primeiros sistemas do tórax para marcar pontos no tórax nem o sistema de medidas do abdómen para marcar pontos no abdómen. Fazer isto iria provocar um desfasamento na continuidade do meridiano não sendo possível ligá-lo.

Qualquer sistema de medidas usado no tronco tem de ser universal. Caso contrário surgem problemas relativos à marcação de pontos.

Outro exemplo relativo às limitações anatómicas do sistema de medidas cun encontra-se no membro inferior.

No membro inferior encontram-se várias descrições para marcação de pontos bastante usadas por acupuntores. Neste caso apresento algumas definições apresentadas por Deadmen, et ally, e de seguida de Ganglin Yin, et ally.

De acordo com Peter Deadmen:

  • A distância entre a proeminência lateral do grande trocanter (aproximadamente ao nível do bordo inferior da sínfise púbica) e a prega popliteia são 19 cun.
  • O tamanho da rótula são 2 cun.
  • A diferença entre a prega popliteia e o maléolo externo são 16 cun.
  • Diferença entre prega popliteia e maléolo interno são 15 cun.

Ganglin yin usa algumas medidas aproximadas. Usa a distância de 16 cun entre a prega popliteia e o maléolo externo assim como a medida dos 19 cun e ainda usa:

  • 13 cun bo bordo inferior do prato medial da tíbia até à ponta do maléolo interno.
  • 18 cun do bordo superior da sínfise púbica até ao bordo superior do epicôndilo medial do fémur.

 

E Ganglin Yin limita anatomicamente a aplicação deste sistema de medidas. Na coxa o sistema de medidas de 19 cun usa marcos anatómicos da parte externa da coxa logo é usado para marcar pontos na face Antero-externa da coxa (meridianos yang como o meridiano do estômago) e usa o sistema de 18 cun para marcar os meridianos yin da coxa.

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Na perna em vez do sistema de 15 cun usa um aproximado de 13 cun. O sistema de 13 cun para os meridianos yin da perna (face interna) e 16 cun para os meridianos yang (face Antero-externa).

Ou seja, são limitados anatomicamente. A sua limitação torna-se relevante na medida que os tornam universais em determinadas regiões do corpo diminuindo a probabilidade de surgirem incompatibilidades.

Mas essa limitação anatómica só é possível devido à estrutura anatómica em si. A existência de articulações, por exemplo, torna o membro inferior menos homogéneo que o tronco tornando mais fácil a sua limitação anatómica. A universalização da aplicação da medida de sistema de cun continua mas mais limitada.

Mas mesmo nestas circunstâncias surgem problemas. Levantemos a questão: qual a lógica de se dividir a face interna da perna em 13 cun (bordo inferior do epicôndilo medial da tíbia até proeminência do maléolo interno) ou uma medida semelhante de 15 cun (prega popliteia até proeminência do maléolo interno) e a face externa me 16 cun (prega popliteia até proeminência do maléolo externo)?

Esta lógica assenta somente no facto que as duas proeminências (maléolo externo e interno) não costumam estar ao mesmo nível encontrando-se o maléolo interno ligeiramente a cima.

No entanto esta diferença não é universal pelo que se introduz um erro logo no inicio da medição. Esta medição só tem lógica em pacientes cujos maléolos apresentem uma diferença encontrando-se o maléolo interno numa posição superior (como é normal acontecer). Obviamente que o problema dos maléolos é mínimo quando comparado com as diferenças observadas no tronco mas a existência dessas diferenças introduz elementos de erro.

 

Conclusão

A marcação de pontos depende de marcos anatómicos bem definidos ao longo da história da MTC.

Apesar de estarem bem definidos existem pequenas diferenças entre algumas escolas.

O aumento do número de marcos anatómicos vem introduzir elementos de subjectividade tornando a marcação de pontos, em algumas ocasiões, praticamente inviável e, na maioria dos casos, criando pequenas margens de erro na marcação do ponto.

A definição de marcos anatómicos em estruturas fortes como ossos é mais fiável que o uso de marcos anatómicos baseado em tecidos moles cuja estrutura varia muito como a mama.

A cada marco anatómico está associada uma pequena margem de erro como são exemplos, a distância entre maléolos internos e externos, ou as diferenças entre as medidas cun quando considerados marcos anatómicos ou quando usados os dedos dos pacientes.

N marcação de pontos devem usar-se os marcos e sistemas de medida recorrendo aos dedos que sejam rápidos e introduzam menos margens de erro de forma a evitar um grande desfasamento entre descrição do ponto e real marcação. 

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