Escolas de acupuntura tradicional que futuro as espera

Nuno Lemos CURSOS DE ACUPUNTURA 8 Comments

O futuro das escolas de acupuntura tradicional

No artigo sobre o futuro dos cursos na ausência de regulamentação, defendi que, muito provavelmente, escolas com cursos a tempo inteiro vão fechar portas devido à perda de alunos, enquanto os cursos de acupuntura de fim de semana vão ter mais capacidade de resistir.

Uma coisa parece-me certa. As licenciaturas a tempo inteiro, vão ressentir-se. Algumas escolas de acupuntura poderão mesmo fechar portas. O excesso de profissionais está a tornar intolerável a entrada no mercado a novos acupuntores. E isto está a ser difícil tanto para os novos acupuntores como para os que já cá andam há mais tempo.

A competição está tão grande que uma boa parte dos profissionais desiste da profissão por não conseguir viver da mesma. Estes dados implicam que mais tarde ou mais cedo o futuro da formação em acupuntura poderá ficar condenado.

No entanto o excesso de profissionais também faz com que existam imensas pessoas desejosas de aprender mais e investir na sua formação de forma a ganhar vantagem no extremamente competitivo mercado de acupuntura.

As provas são visíveis. Existem cada vez mais empresas a trazerem profissionais estrangeiros para dar formação a acupuntores em território nacional. As empresas que já traziam profissionais tornaram esse fenómeno mais comum devido a um pedido cada vez mais crescente por parte dos profissionais.

Actualmente existem cursos de formação para acupuntores, pós-graduações, mestrados, etc… Diferentes empresas oferecem formação em áreas muito semelhantes como acupuntura e cancro ou áreas completamente diferentes como formações específicas para tratar dor ou para cosmética.

As licenciaturas de fim de semana, por seu lado, e a ausência de regulamentação, por outro, também tem um papel importante a desempenhar nesta evolução. Contribuem para sobrelotar o mercado com profissionais cuja formação não é suficiente para puderem exercer e que estão sistematicamente à procura de formações complementares que lhes permitam compensar essas falhas.

A juntar a estas formações encontram-se formações próprias para profissionais de saúde que desejam aprender acupuntura e inseri-la nos seus tratamentos. Pós-graduações para enfermeiros, formações avançadas em acupuntura para fisioterapeutas, mestrados e pós-graduações em acupuntura para médicos, etc… estas classes profissionais estão cada vez mais interessados em associar a acupuntura ao seu arsenal terapêutico.

Nos próximos anos o ensino da acupuntura vai começar a alterar radicalmente de cursos de licenciatura para cursos de pós-graduações dados por empresas privadas que vão sobreviver às escolas de acupuntura tradicional de tempo inteiro (ou que poderão ajudá-las a sobreviver). Após estes anos intermédios, na ausência de regulamentação, e com o aumento de profissionais de saúde com grande formação na área de acupuntura a formação por parte dos acupuntores não convencionais ficará mais limitada e com menos espaço de manobra. O futuro das escolas de acupuntura tradicional parece estar dependente da capacidade destas se adaptarem a um novo tipo de clientes.

As vantagens competitivas dos profissionais de saúde (não pagam IVA, não precisam estar limitados somente à prática privada, podem associar a acupuntura a outros tratamento, apesar do paciente só ter ido por causa dos tratamentos convencionais, etc…), o maior número de profissionais, e a posterior inclusão dos tratamentos em serviços públicos (hospitais, centros de saúde, etc…) vão fazer com que a formação em acupuntura para profissionais não convencionais se torne prescindível. As pós-graduações e outros tipos de formações vão pelo mesmo caminho.

Essas formações vão quase todas sofrer do mesmo problema base de qualidade. E os profissionais que as fazem não têm capacidade competitiva com os profissionais de saúde. Sem regulamentação o ensino da acupuntura em Portugal, com excepção da formação para profissionais de saúde, vai acabar! O futuro das escolas de acupuntura tradicional não parece promisor.

Conclusão

O futuro das escolas de acupuntura tradicional está ameaçado. Em particular as licenciaturas a tempo inteiro tal como estão modeladas hoje. Existem várias condicionantes presentes que colocam em causa o futuro das escolas de acupuntura tradicional. Muitas licenciaturas de fim de semana que enchem o mercado de profissionais com necessidades de formação diferentes e interesse passivo por parte de várias profissões de saúde em incorporar a acupuntura no seu arsenal terapêutico.

Isto colocará em causa o futuro das escolas de acupuntura tradicional pois ninguém vai estar a estudar durante 5 anos para não ter trabalho. Ou as escolas de acupuntura tradicional se sabem adaptar a esta nova realidade ou acabam por desaparecer.

Comments 8

  1. É refrescante ver como encaras futuro com tanto optimismo!!!
    🙂
    Mas, ainda há pouco tempo, ouvi alguém ligado ao nosso ramos a dizer que há cada vez mais mercado de trabalho para os acupunctores… Um de vocês está enganado lololololol

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      Boas Rita
      Sabes que o meu optimismo já é genético. lolololol
      Sobre o que ouviste. Faz pouco tempo vi um video no youtube de publicidade à UMC, onde o Pedro Choy (ele não gosta que o tratem por Dr. portanto não se chateiem por não usar título!) afirmava que daqui a uns anos não havia acupuntores suficientes para os doentes. lolol Morri a rir quando ele disse isso. É uma mentira pegada. Nãos ei onde ele se baseia para dizer isso mas de certeza que não é na vida dos acupuntores portugueses.
      Mas enfim, marketing obriga a estas coisas! lololol

      Bjs

      PS: não fiques chateada por falar do Dr.º Pedro Choy, mas sabes como eu sou em relação a determinados tipos de marketing.

  2. O artigo é pertinente e já há algum tempo que ando a dizer isso. Em tempos, no mtcforum, abordei ao de leve o assunto e os colegas que não são da área da saúde acharam que eu não sabia o que dizia. É uma situação que me parece incontornável.

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    Boas Nelson
    Na tua opinião existe mais algum factor que possa influenciar o futuro da educação em acupuntura? Nos próximos dias vou publicar mais artigos sobre as escolas e o inicio da profissão.
    No entanto não sei se cobri todos os campos. Seria útil ver se me esqueci de algum outro factor.
    abraço

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  4. Boas Nuno
    Em minha opinião há muita falta de humildade dos jovens acupunctores. Ao contrário do que afirmas não me parece que os jovens acupunctores estejam capacitados para lidar com pacientes. Há sem sombra de dúvida uma grande lacuna relativamente á formação mais especifica no que diz respeito ao conceito de profissional de saúde. Digo em abono da verdade,que dificilmente me sujeitaria a fazer qualquer tratamento de acupunctura com colegas sem experiencia de campo.
    Penso que o melhor seria apostar fortemente na formação em saúde, na importância de uma prática segura, para eles, para os pacientes e para toda uma classe.
    Abraço

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    Boas Nelson
    Eu também acho que os jovens acupuntores tem problemas relativamente ao início da prática clínica. Noto que os alunos que tiveram melhor acompanhamento clínico durante o curso tem mais facilidade em sair para o mercado de trabalho. No entanto, é evidente que existem dificuldades.
    Em qq curso, quando o profissional sai licenciado tem alguimas dificuldades. Mas noutras profissões esse profissionais recentes trabalham sob a supervisão de profissionais mais velhos que são importantes para a sua maturação profissional. Isto raramente se passa na acupuntura.
    Efectivamente afecta a qualidade de tratamento e a evolução do profissional. Mas isto não significa obviamente que os novos profissionais não venham a ser bons profissionais.
    Relativamente a tratar-me com profissões recêm licenciados não tenho muito problema. Desde que seja eu a definir o tratamento. lolololol
    Sim, também concordo quando afirmas que se deveria apostar na formação em saúde. Pessoalmente acho que o tempo de estágio clínico deveria aumentar na maioria das escolas – e nalgumas deveria efectivamente começar! lol
    Abraço

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